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O filtro regex do Google Search Console fica no relatório de desempenho: em Adicionar filtro, escolha Consultas e depois Personalizada (regex). Assim, com a sintaxe RE2, ele acha consultas longas em forma de pergunta, que lembram prompts de IA. Veja as regex que testamos, os limites do filtro e como usar o resultado.
Em resumo
- O filtro fica em Consultas > Personalizada (regex), usa a sintaxe RE2, casa com qualquer parte da consulta e, por padrão, não diferencia maiúsculas.
- No RE2,
\we\bsó reconhecem letras sem acento. Por isso, para separar palavras em português, use o espaço (\s) e o\S. - Uma consulta longa em forma de pergunta é um indício de busca conversacional, mas não prova que veio de uma IA. Afinal, nenhum filtro de consultas separa o Modo IA da busca comum.
- Com um filtro de consulta, as consultas anônimas somem também do total do gráfico. Portanto, compare só números medidos com o mesmo filtro.
Como usar regex no filtro de consultas do Search Console?
O filtro de regex do Google Search Console fica no relatório de desempenho da Pesquisa. Primeiramente, clique em Adicionar filtro e escolha Consultas. Em seguida, troque o tipo para Personalizada (regex) e cole a expressão. Por fim, mantenha Corresponde ao regex ou escolha Não corresponde ao regex, que mostra todas as outras consultas, e clique em Aplicar.
De acordo com a ajuda do Search Console, o filtro de regex segue três regras:
- Sintaxe: o Search Console usa a sintaxe RE2.
- Correspondência parcial: a regex casa com qualquer parte da consulta, salvo se começar com
^(início) ou terminar com$(fim). - Maiúsculas: o filtro não diferencia maiúsculas de minúsculas, salvo se a expressão começar com
(?-i).
Os nomes das opções em português vêm da ajuda do Google, que avisa ter trechos traduzidos por IA. Por isso, na sua tela, eles podem aparecer um pouco diferentes. Na ajuda em inglês, as opções se chamam Custom (regex), Matches regex e Doesn’t match regex. Já a opção Não corresponde ao regex faz o papel da negação, porque o RE2 não aceita lookahead negativo.

Que sintaxe RE2 o Search Console aceita?
O Search Console aceita a sintaxe RE2, da biblioteca de expressões regulares do Google. No entanto, o RE2 não aceita lookahead nem referência para trás, e o \w e o \b só reconhecem letras sem acento.
| Recurso | No RE2 |
|---|---|
Começo e fim: ^como, pena$ | Aceita |
Parte opcional: por ?que | Aceita |
Repetição contada: (\S+\s+){7} | Aceita, até 1.000 |
Espaço e não espaço: \s, \S | Aceita |
Diferenciar maiúsculas: (?-i) | Aceita |
Letra e limite de palavra: \w, \b | Só letras sem acento |
Lookahead e lookbehind: (?=...) | Não aceita |
Referência para trás: \1 | Não aceita |
A barra vertical separa alternativas, ou seja, como|qual pega uma palavra ou a outra. Já o ponto de interrogação torna opcional o caractere anterior, enquanto as chaves contam as repetições.
Esse limite das letras pesa sobretudo no português. Para o RE2, \w equivale a [0-9A-Za-z_], ou seja, “é”, “ç” e “ã” não contam como letra. Assim, \bvocê\b não acha a palavra “você”, porque o RE2 não vê limite de palavra depois do “ê”. Por isso, as regex de perguntas deste guia usam o espaço (\s) para marcar o fim da palavra.
Qual regex filtra perguntas (como, qual, por que, quanto)?
A regex abaixo pega as consultas que começam com uma palavra de pergunta, como “qual”, “quanto”, “onde” e “por que”. Porém, só entra a palavra inteira: o espaço no fim (\s) barra “comodato” e “devolução”. Em seguida, use o filtro com Corresponde ao regex e ordene a tabela por impressões.
^(como|qual|quais|quant[oa]s?|onde|quando|quem|por ?qu[eê]|o que|pra que|para que|vale a pena|é possível|existe|posso|devo|você)\s
O ^ prende a regex ao começo da consulta, enquanto quant[oa]s? cobre quanto, quanta, quantos e quantas. Da mesma forma, por ?qu[eê] cobre por que, porque, por quê e porquê.
O próprio Google sugere esse uso. No blog da Central da Pesquisa, por exemplo, ele diz que um filtro de regex com palavras de pergunta pode mostrar se o conteúdo precisa responder perguntas.
Por outro lado, para achar a palavra de pergunta em qualquer lugar da consulta, troque o começo e o fim da regex:
(^|\s)(como|qual|quais|quant[oa]s?|onde|quando|quem|por ?qu[eê]|o que|pra que|para que|vale a pena|é possível|existe|posso|devo|você)(\s|$)
Essa versão pega mais perguntas, mas traz ruído, porque “como” também aparece em consultas como “trabalhe como recepcionista”. No nosso teste, a primeira regex não trouxe nenhuma consulta fora do alvo, enquanto a segunda trouxe cinco.
Como filtrar consultas com muitas palavras?
Para achar consultas longas, conte os espaços. A regex abaixo pede sete blocos de palavra e espaço, seguidos de mais uma palavra, ou seja, oito palavras ou mais. Então, para mudar o mínimo, troque o 7 pelo número de palavras menos um. Já que a correspondência é parcial, a regex dispensa ^ e $.
(\S+\s+){7}\S
O \S+ é qualquer sequência sem espaço. Por isso, ele aceita acentos, números e hífen. Já o \w+ quebra nas letras acentuadas. No nosso teste, a mesma regex com \w no lugar de \S achou só 13 das 31 consultas longas, e a original achou as 31. Em geral, comece com oito palavras e ajuste: desça o número se vier pouca coisa, ou suba se vier demais.
Por fim, para juntar pergunta e tamanho num filtro só, ponha a contagem na regex, depois da palavra de pergunta. A versão abaixo pede pelo menos cinco palavras depois da expressão de pergunta, isto é, seis ou mais no total quando ela tem uma palavra só:
^(como|qual|quais|quant[oa]s?|onde|quando|quem|por ?qu[eê]|o que|pra que|para que|vale a pena|é possível|existe|posso|devo|você)(\s+\S+){5}
Como separar consultas de marca e de não marca?
Há dois caminhos: o filtro de consultas com e sem marca, do próprio Search Console, e uma regex com as variações da marca. O filtro separa os dois grupos sozinho, mas não aparece em todo site. A regex, por outro lado, funciona em qualquer propriedade, com Corresponde ao regex para a marca e Não corresponde ao regex para o resto.
De acordo com o anúncio do Google, esse filtro do Google Search Console não usa regex, mas um sistema interno assistido por IA. Em inglês, o recurso se chama branded queries filter. Ele reconhece o nome, os erros de digitação e os produtos ligados à marca. Porém, só aparece em propriedades de nível superior, e não nas de pasta ou de subdomínio, e exige volume suficiente de consultas. Além disso, o Google avisa que algumas consultas podem cair no grupo errado.
Para montar a regex, liste o nome, as variações e os erros comuns, como no exemplo do Google para uma empresa chamada Willow Tree:
willow tree|wilow tree|willowtree|willowtee
Para encurtar a lista, use o ponto de interrogação. Assim, a versão abaixo cobre as quatro grafias do Google e outras quatro, como “wilowtree”:
wil?low ?tr?ee
Mas nenhuma das duas pegou, no nosso teste, “willow tre”, um erro fora da lista. Em outras palavras, a regex só acha o que você prevê.
Por fim, a API permite juntar a regex de perguntas e a de marca. Conforme a documentação da API do Search Console, um mesmo grupo aceita vários filtros obrigatórios, como um includingRegex para as perguntas e um excludingRegex para a marca.
O que o Search Console esconde quando você filtra?
O Search Console esconde as consultas anônimas e as linhas além do limite. As anônimas nunca aparecem na tabela, que mostra no máximo 1.000 linhas. Ainda assim, sem filtro, elas entram no total do gráfico. Quando a regex filtra as consultas, porém, o Google Search Console tira as anônimas também do total, segundo a ajuda sobre discrepâncias.
Num post de 2022, o Google definiu como anônima a consulta feita por no máximo algumas dezenas de usuários em dois a três meses. No exemplo do post, um site tem 550 cliques, mas as consultas listadas somam 450. Assim, o filtro com “fiction” mostra 175 cliques, e o filtro sem “fiction”, 275. Ou seja, os 100 cliques anônimos ficam fora dos dois.
É provável que isso pese mais nas perguntas longas, mas o Google não diz quantas ficam anônimas. Afinal, uma pergunta única, feita por uma pessoa só, tende a ficar entre as anônimas. Por isso, a regex no Search Console mostra sobretudo as perguntas que se repetem, e não todas as perguntas longas que chegam ao Google.
Há também um corte por volume. Em alguns sites muito grandes, o limite diário de linhas tira dados do relatório, mas o Google diz acreditar que o restante forma uma amostra representativa. Para a lista mais completa, aliás, a ajuda das dimensões indica a exportação de dados em massa. Em suma, compare só números com o mesmo filtro, como um mês contra o anterior.
Consulta longa no Search Console é prompt de IA?
Não necessariamente. Uma consulta longa em forma de pergunta é um indício de busca conversacional, mas não prova que veio de uma IA. Isso porque o relatório de desempenho soma o Modo IA do Google à busca comum, no tipo Web, sem filtro que separe os dois. Assim, a mesma pergunta pode ter vindo de qualquer um deles.
Ainda assim, o sinal faz sentido. De fato, nos EUA, a busca média no Modo IA tem o triplo do tamanho de uma busca tradicional, segundo o Google. Além disso, cada pergunta complementar no Modo IA entra no relatório como uma consulta nova. As regras de contagem estão no guia de dados de IA no Search Console.
Para ler o resultado, siga quatro passos:
- Ordene por impressões: assim, as perguntas que mais aparecem vêm primeiro.
- Abra a aba Páginas: com o filtro ativo, ela mostra quais páginas recebem essas perguntas.
- Compare períodos: com a regex aplicada, compare um mês com o anterior para ver se as perguntas longas crescem.
- Olhe o CTR: compare o CTR dessas perguntas com o CTR orgânico do resto do site.
Como transformar essas consultas em prompts para monitorar a marca na IA?
Use as perguntas filtradas como base da lista de prompts. A ideia é reescrever cada consulta como alguém perguntaria a um assistente e, assim, rodar a mesma lista todo mês no ChatGPT, no Gemini e no Modo IA. Dessa forma, cada mês se compara com o anterior.
- Exporte: com a regex aplicada no Google Search Console, o botão de exportação baixa o gráfico e a tabela.
- Limpe: em seguida, junte as variações da mesma pergunta e tire as que fogem do negócio.
- Reescreva: por exemplo, “quanto custa sistema agendamento clínica” vira “Quanto custa um sistema de agendamento online para uma clínica pequena no Brasil?”.
- Classifique: separe em categoria, problema, comparação e marca, os quatro grupos do protocolo de medição.
- Congele: por fim, mantenha a mesma lista por um trimestre.
O resto do protocolo, como o número de prompts e a margem de erro, está no guia sobre como medir menções e citações da marca em IA. Por outro lado, o que faz a IA citar uma página está no guia de SEO e IA.
No Bing, conforme a Microsoft, o relatório AI Performance do Bing Webmaster Tools mostra uma amostra das grounding queries. São as frases que a IA usou para buscar o conteúdo citado, e não necessariamente as perguntas dos usuários. Ainda assim, elas ajudam a conferir se a lista cobre os temas certos.
O que encontramos ao testar as regex do Search Console
Testamos cada regex com 99 consultas de exemplo fora do Google Search Console, mas com as regras dele: sintaxe RE2, correspondência parcial e sem diferenciar maiúsculas. Montamos a lista com perguntas, consultas curtas, consultas de marca e palavras acentuadas. Em todas as regex, aliás, o teste em Python e o pacote regexp do Go, que segue a sintaxe RE2, deram o mesmo resultado.
- Perguntas no começo, com espaço: a regex achou 43 das 53 perguntas, sem trazer nenhuma consulta fora do alvo.
- Perguntas com
\bno lugar do espaço: achou só 39, porque perdeu as quatro que começavam com “você”, “por quê” ou “porquê”. - Marca: a lista do Google achou 10 das 12 consultas de marca, enquanto a versão curta achou 11.
- Sem o espaço no fim: a regex de perguntas trouxe, por exemplo, “comodato”, “devolução” e “existencialismo”.
- Lookahead: a regex deu erro de sintaxe no Go, conforme prevê a documentação do RE2.
Perguntas frequentes
Em algumas contas, sim. A configuração com IA do relatório de desempenho recebe um pedido em texto e sugere filtros, inclusive um filtro de consulta por regex, que você confirma antes de aplicar. Porém, o recurso é experimental, aparece para poucos usuários e aceita 20 pedidos por dia por usuário. Por isso, confira a regex antes de usar o resultado, já que a ferramenta pode errar.
Funciona com ajustes. A ajuda do GA4 também remete à sintaxe RE2, mas, por padrão, a regex do GA4 precisa casar com o valor inteiro e diferencia maiúsculas de minúsculas. No Search Console, pelo contrário, a correspondência é parcial e ignora maiúsculas. Para filtrar as visitas de assistentes de IA, veja o guia de tráfego de IA no GA4.
Dá. Basta escolher Páginas em vez de Consultas, no mesmo menu de filtros, e em seguida Personalizada (regex). Além disso, as regras não mudam: sintaxe RE2, correspondência parcial e sem diferenciar maiúsculas. O Google dá o exemplo shoes/.*/green, que pega as páginas de sapatos verdes de qualquer marca ou tamanho.
Fontes principais
- Ajuda do Search Console, filtragem avançada e comparação no relatório de desempenho (2026).
- RE2, referência da sintaxe das expressões regulares (2023).
- Ajuda do Search Console, dimensões do relatório, consultas anônimas e consultas com e sem marca (2026).
- Google Search Central, filtragem e limites dos dados de desempenho (2022).
- Google Search Central, dicas rápidas sobre os filtros de regex (2021).
- Google Search Central, filtro de consultas de marca no Search Console (2025).
- Google, como o Modo IA muda a busca nos EUA (2026).


