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Listicle é um artigo em formato de lista, como “os 10 melhores CRMs para pequenas empresas”. As IAs citam muito esse formato quando alguém pede indicações antes de comprar. Por isso, muitas marcas publicam a própria lista e se põem em primeiro lugar. Em 2026, porém, levantamentos mostraram a IA do Google deixando essas marcas fora de muitas recomendações.
Em resumo
- Num estudo da Ahrefs com 750 perguntas ao ChatGPT, os listicles de “melhores X” em blogs somaram 43,8% das páginas citadas.
- Mas, num levantamento sobre software B2B, 83% das listas da própria marca citadas pela IA do Google ficaram sem a marca na recomendação.
- O Google pede que, ao chamar algo de melhor, a lista explique o motivo com evidência em primeira mão.
- Vaga paga em listicle de terceiros precisa de aviso de publicidade e, se tiver link, do atributo sponsored ou nofollow.
O que é listicle e por que as IAs citam listas de “melhores X”?
Listicle é o artigo organizado em itens, cada um com explicação própria. O nome junta as palavras inglesas list (lista) e article (artigo). As IAs citam muito esse formato nas perguntas de compra, já que a lista de “melhores X” reúne opções, critérios e comparações numa página só.
A Ahrefs analisou as respostas do ChatGPT a 750 perguntas sobre software, produtos e agências, como “melhor software de CRM para grandes empresas”. Entre as fontes citadas, os listicles de “melhores X” em blogs somaram 43,8% das páginas. A Ahrefs, porém, vende ferramentas de SEO e de monitoramento de marcas em IA.
Nem todo listicle passa a mesma confiança, porque quem publica muda a leitura da lista.
| Tipo de listicle | Quem publica | O que dá confiança |
|---|---|---|
| Editorial | Veículo ou blog sem vínculo com as marcas | Critérios e testes próprios |
| De afiliado | Site que ganha comissão nas vendas | Aviso da comissão |
| Autopromocional | A própria marca, que se põe em 1º | Aviso do vínculo e método claro |
Antes de responder, o ChatGPT muitas vezes busca na web. Veja como o ChatGPT escolhe os sites que cita. Da mesma forma, os formatos que a IA cita em cada etapa da compra estão no guia de marketing de conteúdo na era da IA.

Listicle autopromocional funciona ou vira risco?
Funcionou até 2025 e ainda pode render citação, mas virou risco. Em 2026, a IA do Google citou a lista da marca e recomendou outras empresas na maioria dos casos medidos. Ao mesmo tempo, sites com muitas listas desse tipo perderam visibilidade orgânica. O ganho, portanto, tende a ficar com marcas que outros sites já recomendam.
Em dezembro de 2025, a Ahrefs ainda via vantagem. Quando o ChatGPT recomendava um software, a lista da própria empresa aparecia entre as fontes em 34% das respostas. Além disso, no Google, a Ahrefs olhou 250 buscas em inglês do tipo “melhor software de X”. Em 169 delas, havia uma lista em que a empresa autora se punha em 1º. Por isso, o estudo recomendou que agências e empresas de software publicassem listas assim.
O que mudou em 2026
Os sinais mudaram em 2026, segundo a consultora de SEO Lily Ray. Em janeiro, dezenas de sites perderam tráfego orgânico no Google, e ela analisou mais de 40 deles. Muitos tinham centenas de listicles em que a própria marca era a melhor, além de conteúdo em massa feito com IA. O Google, no entanto, não confirmou uma atualização específica.
Em seguida, ela mediu o que acontecia nas AI Overviews, o resumo de IA da busca do Google. Entre abril e junho, ela acompanhou 100 buscas em inglês do tipo “melhor software de X”, de categorias B2B. Nelas, a IA citou 323 listicles autopromocionais. Em 69% desses casos, porém, deixou a marca autora fora da recomendação. Na nova medição, de setembro, a fatia subiu para 83%, e a IA passou a citar 38% menos listicles desse tipo que em junho.
“Um listicle em benefício próprio pode render uma citação, mas, em muitos casos, pode sair pela culatra.” (tradução nossa)
Lily Ray, consultora de SEO e busca com IA (2026)
O levantamento é pequeno, só com buscas em inglês, e vem de uma consultora que vende serviços de SEO. Ainda assim, aponta um risco que a marca não vê quando conta só as citações.
Por que a lista da marca pode ajudar o concorrente
Para Lily Ray, o Google parece ter separado o que cita de quem recomenda. Isto é, a página pode virar fonte, mas a recomendação depende de quanto outros sites falam da marca. Imagine, por exemplo, uma empresa fictícia de software para clínicas que publica “os 8 melhores sistemas” e se põe em 1º. Na lista, três líderes do setor vêm logo abaixo. Se a web fala muito mais deles, a IA pode usar a página como fonte e recomendar só os líderes.
Outro estudo mostra um padrão parecido. A BuzzStream, que vende software de relações públicas, analisou 12 mil respostas de quatro motores de IA do Google e da OpenAI. Nas perguntas de categoria, como “melhores ferramentas de gestão de projetos”, o site da marca muitas vezes virava fonte sem o nome dela. Isso aconteceu em quase dois terços dos casos. O estudo, porém, não diz quais páginas viraram fonte nem o país das perguntas.
Que critérios tornam um listicle confiável?
Um listicle confiável diz quem publica e qual o vínculo com as marcas da lista. Além disso, explica os critérios antes do primeiro item e justifica cada posição com evidência própria. Ele também mostra para quem cada opção serve, inclusive quando o concorrente vence.
Afinal, para o Google, uma lista de recomendações classificadas é um tipo de avaliação, e o sistema de avaliações vale para o português. O guia do Google para avaliações pede que, ao chamar algo de melhor, o texto diga por quê, com evidência em primeira mão. Da mesma forma, recomenda discutir benefícios e desvantagens e linkar recursos úteis, inclusive de outros sites. Por fim, a página do Google sobre conteúdo útil trata do “como” do conteúdo. Nas avaliações, o leitor confia mais quando sabe quantos produtos o autor testou, como testou e o que encontrou.
O que checar antes de publicar a lista
- Vínculo: diga logo no início que a lista é da marca e que ela aparece entre as opções.
- Critérios: preço, perfil de cliente, recursos e suporte, com o peso de cada um.
- Método: quantas opções você avaliou, como testou e em que período.
- Evidência: prints, medições ou dados de uso em cada item, e não só a descrição do fabricante.
- Melhor para quem: o perfil em que cada opção vence, inclusive as concorrentes.
- Links: a página oficial de cada opção, para o leitor conferir.
- Data: quando você revisou a lista pela última vez e o que mudou.
Na Ahrefs, por exemplo, as listas de comparação ficam abaixo de 0,5% do blog. A empresa diz que nem sempre se põe em primeiro, deixa claro quando é ela a recomendada e linka as alternativas. Quando o comprador já escolhe entre duas marcas, porém, a página de comparação com concorrentes atende melhor que a lista.
Como entrar nos listicles de “melhores X” publicados por terceiros?
Descubra quais listicles a IA cita nas perguntas da sua categoria. Em seguida, leve aos autores dados que eles possam conferir, como preço, casos e acesso de teste. Ao mesmo tempo, ganhe menções com produto, pesquisa própria e clientes. Vaga paga só vale com aviso de publicidade e link patrocinado.
Os listicles de terceiros tendem a pesar mais. O Wix AI Search Lab olhou as 1.000 páginas mais citadas por três IAs em serviços profissionais. Nelas, as listas de terceiros tiveram 80,9% das citações de listas, enquanto as autopromocionais ficaram com 19,1%. O autor trabalha na Peec AI, que vende monitoramento de marcas em IA. Já no estudo da BuzzStream, nas perguntas de categoria, só 7,2% das menções a uma marca vieram com o site dela citado.
A posição também conta. No estudo da Ahrefs, as marcas mais bem colocadas nas listas de terceiros apareceram mais nas recomendações do ChatGPT. Mas isso é correlação, e não causa.
Na prática, o caminho tem cinco passos:
- Mapeie: rode as perguntas de “melhores X” da sua categoria e anote os listicles que a IA cita.
- Compare: leia os critérios de cada lista e veja o que falta à sua marca.
- Ofereça prova: mande ao autor preço, casos e um acesso de teste, para ele avaliar por conta própria.
- Cuide dos perfis: mantenha atualizados os sites de avaliação do seu setor, que a IA também cita.
- Dê motivo para a menção: publique dados próprios, novidades de produto e prêmios.
Um plano de marketing de conteúdo B2B produz os casos e os dados que esses autores pedem.
Pagar para aparecer na lista vale a pena?
Pagar por vaga em listicles de terceiros sem aviso traz risco e rende pouco. As políticas de spam do Google incluem tentar manipular as respostas da IA generativa e pagar por links ou posts com links. O link pago só fica dentro da regra com o atributo rel="sponsored" ou rel="nofollow". Além disso, o guia do Google para IA generativa diz que buscar menções não autênticas não é tão útil quanto parece.
No Brasil, o artigo 30 do Código do CONAR pede que a peça paga se distinga das matérias editoriais. Da mesma forma, o artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor exige publicidade que o consumidor identifique fácil e imediatamente. Além do risco, o conteúdo pago quase não aparece entre as fontes que a IA mais cita.
Com que frequência atualizar o listicle?
Revise o listicle sempre que o mercado mudar e, no mínimo, a cada trimestre. Confira preços e planos todo mês. Mostre no topo a data da última revisão e diga o que mudou. Afinal, o Google cita a troca de data sem mudança real entre os sinais de conteúdo feito para o buscador.
As listas que a IA usa costumam ser recentes. No estudo da Ahrefs, 79,1% de 1.100 listicles usados como fonte pelo ChatGPT tinham data de publicação ou de atualização em 2025. Além disso, 26% eram dos dois meses anteriores ao estudo, de dezembro de 2025.
| O que revisar | Quando | Por quê |
|---|---|---|
| Preços e planos | Todo mês | Preço velho engana o comprador |
| Ordem e critérios | A cada trimestre | O mercado muda de líder |
| Nova opção ou opção encerrada | Na mesma semana | A lista fica incompleta |
Como saber se o listicle ajuda a sua marca ou o concorrente?
Separe citação de recomendação. Numa lista fixa de perguntas de “melhores X”, anote todo mês se o seu listicle aparece como fonte. Em seguida, veja se a sua marca entra na recomendação e quais concorrentes entram no lugar dela. Ou seja, lista citada sem a marca recomendada está ajudando os concorrentes.
Rode cada pergunta mais de uma vez, do Brasil e em português, porque a resposta muda a cada execução. O protocolo completo está no guia para medir menções e citações da marca em IA.
Se a marca só aparece como fonte, reforce as páginas que descrevem o que ela vende. No estudo da Ahrefs, nas perguntas sobre agências, a página de serviço de uma agência recomendada apareceu entre as fontes em 30,4% das respostas. A lista da própria agência, por outro lado, apareceu em 17,2%. Para a Ahrefs, a explicação mais simples é que as empresas têm muito mais páginas de serviço que listas próprias. Ainda assim, é a página de produto ou serviço que mais aparece, e por isso ela merece mais cuidado que a lista.
O que encontramos ao analisar 6 páginas em português sobre listicle
Analisamos as 6 páginas em português que mais apareceram nas nossas buscas por “o que é listicle” e variações. Só duas, porém, trazem dados sobre os listicles e outros conteúdos nas respostas de IA. Apenas uma fala da lista em que a marca se põe em primeiro, e numa só frase.
Nenhuma delas cita as orientações do Google para avaliações. Da mesma forma, nenhuma traz dados sobre a IA citar a lista e recomendar outra marca, nem trata das regras para vaga paga.
Fontes principais
- Ahrefs, estudo com 26.283 fontes citadas pelo ChatGPT em perguntas de “melhores X” (2025).
- Lily Ray, listicles autopromocionais nas AI Overviews (2026).
- Lily Ray, medição de setembro e sinais de uma nova atualização do Google (2026).
- BuzzStream, estudo sobre menções e citações de marcas nas respostas de IA (2026).
- Wix AI Search Lab, os tipos de conteúdo mais citados pelas IAs (2026).
- Google Search Central, como escrever avaliações de alta qualidade (2025).
- Google Search Central, como criar conteúdo útil, confiável e que prioriza as pessoas (2026).
- Google Search Central, políticas de spam para a Pesquisa Google (2026).


