Agentic commerce: o que é e como preparar a marca para agentes de IA

Equipe NotHuman

Escrito com AI revisado por humanos.

Tempo de leitura: 14 minutos

Agentic commerce, ou comércio agêntico, é a compra feita por um agente de IA em nome do cliente. Ou seja, o agente pesquisa, compara e paga dentro de limites que a pessoa autoriza. No Brasil, o agentic commerce está em testes controlados. Já as compras no ChatGPT, baseadas no Agentic Commerce Protocol, estão no ar nos EUA, diz a OpenAI.

Em resumo

  • Os agentes já pesquisam e comparam produtos. Porém, o pagamento feito pelo agente depende de protocolos novos, como ACP, UCP e AP2, e de credenciais criadas pelas bandeiras.
  • Segundo a OpenAI, as compras no ChatGPT estão no ar nos EUA. Já o checkout no Modo IA vale só nos EUA, no Canadá e na Austrália.
  • O agentic commerce no Brasil começou com testes: a Visa e o Banco do Brasil fizeram a primeira transação com um agente em março de 2026.
  • De acordo com a PYMNTS e a Visa, 74% de 501 lojistas brasileiros esperam que agentes gerem vendas. Só 15%, porém, têm dados de produto legíveis por eles.

O que é agentic commerce?

Agentic commerce é o comércio em que um agente de IA age pelo comprador: busca opções, compara, escolhe e, com permissão, conclui o pagamento. A diferença para a busca comum está na ação, porque o agente executa as etapas da compra em vez de só mostrar links. Enquanto isso, a pessoa aprova o que tem custo.

A Visa define o comércio agêntico como experiências em que agentes ajudam consumidores ou empresas a descobrir produtos, decidir e concluir partes da compra. Segundo a empresa, isso vai de comparar produtos a fechar a transação com a permissão do usuário. A Visa vende pagamentos e, portanto, tem interesse no tema.

NívelO que o agente fazExemplo atual
RecomendaPesquisa e indica produtosProdutos nas respostas do ChatGPT e do Gemini
NavegaAbre sites, compara e preenche formuláriosNavegador na nuvem do ChatGPT Work
CompraMonta o carrinho e paga com credencial própriaTestes de Visa e Mastercard

Na prática, o agentic commerce de hoje fica quase todo nos dois primeiros níveis. Afinal, o terceiro depende de lojas, bancos e bandeiras falarem a mesma língua. Por isso, os protocolos ganharam tanto espaço.

Agentic commerce: ilustração de um robô que empurra um carrinho de compras entre prateleiras até o caixa

Qual a diferença entre comércio agêntico e e-commerce com IA?

No e-commerce com IA, a loja usa IA dentro do próprio site, por exemplo, num chatbot ou num sistema de recomendação. No comércio agêntico, porém, o agente trabalha para o comprador e circula por várias lojas. Assim, a loja deixa de controlar a vitrine e passa a disputar a escolha do agente.

Isso muda o funil, já que o agente lê catálogos, preços, avaliações e políticas antes de levar a pessoa, ou o pagamento, até uma loja. Portanto, a marca que a IA não encontra ou não cita tende a ficar fora da lista curta antes de qualquer clique.

No ChatGPT, por exemplo, o navegador na nuvem do ChatGPT Work lê páginas, clica em botões e preenche formulários. Ainda assim, ele pede confirmação antes de pagar ou reservar. Esse funcionamento está no guia de como o ChatGPT funciona.

Já a recomendação de produtos tem guia próprio. Veja como os produtos de uma loja entram nas respostas de IA no guia de GEO para e-commerce.

O que são os protocolos do agentic commerce: ACP, UCP e AP2?

São padrões abertos para que agentes, lojas e meios de pagamento conversem sem integração sob medida. Por exemplo, o ACP, da OpenAI e da Stripe, cobre catálogo e checkout. O UCP, do Google, vai da busca ao pós-venda. Por fim, o AP2, também do Google, registra a prova de que o cliente autorizou o pagamento.

ProtocoloQuem lideraO que padroniza
ACP (Agentic Commerce Protocol)OpenAI e StripeFeed de produtos, carrinho e checkout
UCP (Universal Commerce Protocol)Google, com Shopify e varejistasCatálogo, carrinho, checkout e pedido
AP2 (Agent Payments Protocol)Google, com mais de 60 empresasAutorização do pagamento
Trusted Agent ProtocolVisa, com a CloudflareIdentificação de agentes confiáveis

Em geral, os protocolos se completam. O UCP, por exemplo, já nasceu compatível com o AP2. Por outro lado, o UCP e o Agentic Commerce Protocol se sobrepõem: os dois ligam o agente ao checkout da loja.

Como funciona o Agentic Commerce Protocol (ACP)?

O Agentic Commerce Protocol é um padrão aberto, com licença Apache 2.0, criado pela Stripe e pela OpenAI, conforme a especificação do ACP. Aliás, a documentação da Stripe inclui também a Meta entre as criadoras. Pelo protocolo, a loja continua como vendedora oficial e decide quais produtos vende, como eles aparecem e como entrega os pedidos. Além disso, qualquer agente pode chamar um checkout com ACP, mas a loja aceita ou recusa por agente ou por transação.

No pagamento, a Stripe foi a primeira processadora compatível com o Agentic Commerce Protocol. Ela usa um token compartilhado, que passa a credencial ao agente sem expor o cartão.

O ChatGPT foi a primeira plataforma a usar o Agentic Commerce Protocol. Atualmente, porém, ele serve sobretudo à descoberta de produtos. Na página para lojistas, a OpenAI diz que o Agentic Commerce Protocol hoje sustenta a descoberta e as recomendações. Com o tempo, segundo a empresa, ele vai cobrir a jornada inteira. A empresa também diz que está deixando de lado o Instant Checkout, a compra à parte dentro do ChatGPT. Assim, a compra termina no site ou no app da loja. A Central de Ajuda, porém, ainda cita o recurso para alguns lojistas.

Como funciona o Universal Commerce Protocol (UCP)?

O Google apresentou o UCP em janeiro de 2026, na NRF, a feira do varejo dos EUA. Segundo Sundar Pichai, CEO do Google, o protocolo nasceu com Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart. Além disso, ele é compatível com o AP2, o A2A e o MCP, protocolos usados por agentes.

Atualmente, a página oficial do UCP lista ainda Amazon, Microsoft, Meta, Salesforce e Stripe entre os codesenvolvedores na área de compras. O padrão cobre busca no catálogo, carrinho, vínculo de conta, checkout e pedido. Enquanto isso, a loja segue como vendedora oficial e dona da relação com o cliente. Inclusive, o UCP já tem um rascunho para hotelaria, fora do varejo.

O que é o Agent Payments Protocol (AP2)?

O Google anunciou o AP2 em setembro de 2025, com mais de 60 empresas, entre elas Mastercard, PayPal, American Express e Adyen. Ele responde a uma pergunta que o checkout atual não faz: o cliente autorizou mesmo esta compra?

Para isso, o AP2 usa mandatos, isto é, contratos digitais assinados com criptografia. Na compra com a pessoa presente, ela aprova o carrinho final. Já numa tarefa delegada, como comprar ingressos assim que as vendas abrirem, ela assina antes as regras, com preço máximo e prazo. Além de cartões, o protocolo aceita transferências bancárias instantâneas e stablecoins.

Do lado das bandeiras, a Visa lançou em outubro de 2025 o Trusted Agent Protocol, feito com a Cloudflare. Desse modo, a loja consegue separar agentes com intenção de compra de robôs maliciosos.

Que empresas já oferecem agentic commerce para lojas?

Processadoras, plataformas e bandeiras já vendem a infraestrutura. Stripe e PayPal oferecem integrações para a loja vender por agentes, enquanto a Shopify liga as lojas a ChatGPT, Gemini, Copilot e Meta. Visa e Mastercard, por sua vez, criaram credenciais próprias para agentes. No entanto, quase tudo começa pelos EUA.

  • Stripe: o Agentic Commerce Suite permite vender por agentes e aceita o checkout próprio da loja com UCP. Ele vale nos EUA, no Canadá e em países europeus selecionados, sem o Brasil.
  • PayPal: o Agent Ready aceita pagamentos de assistentes de IA com poucas mudanças no checkout atual, e o Store Sync leva o catálogo às plataformas. O acesso, porém, passa por formulário.
  • Shopify: as vitrines agênticas ficam ativas por padrão para lojas elegíveis. Mesmo assim, o checkout direto no Google vale só para lojas e clientes dos EUA.
  • Visa: o Visa Intelligent Commerce já tem transações reais nos EUA, segundo a empresa.
  • Mastercard: o Agent Pay usa tokens agênticos, ou seja, credenciais com limites definidos pelo cliente.

Em junho de 2026, a Visa anunciou uma parceria com a OpenAI para levar pagamentos iniciados por agentes aos produtos da OpenAI. De acordo com a Visa, as transações usam tokens ligados a agentes específicos. Além disso, elas respeitam limites de gasto e de aprovação definidos pelo comprador.

Todas essas empresas vendem a infraestrutura do agentic commerce e, por isso, têm interesse no avanço do tema.

O agentic commerce já funciona no Brasil?

Em parte. No Brasil, o agentic commerce já aparece na recomendação de produtos, mas o pagamento feito pelo agente ainda está em teste. A página da OpenAI para lojistas diz que as compras no ChatGPT estão no ar nos EUA. No Google, o checkout pelo UCP vale para EUA, Canadá e Austrália. Visa e Mastercard, por outro lado, testam transações reais em ambiente controlado.

IniciativaOnde vale hojeNo Brasil
Feed direto de produtos para o ChatGPT (ACP)EUAAinda não
Checkout do Google (UCP)EUA, Canadá e AustráliaNão
Checkout direto da Shopify no GoogleLojas e clientes dos EUANão
Visa Intelligent CommerceEUA, com transações reaisTestes desde março de 2026
Mastercard Agent PayAmérica Latina, em ambiente controladoSem país informado

O que a Visa já testou no Brasil?

Em 11 de março de 2026, o Banco do Brasil e a Visa fizeram a primeira transação do país com um agente de IA, segundo a Visa. Foi o primeiro passo do agentic commerce no Brasil, em ambiente de produção controlado. Nela, um token substitui os dados do cartão. Segundo o Mobile Time, o cliente confirma cada compra com biometria.

Em seguida, em abril de 2026, a Visa lançou o programa Agentic Ready no Brasil. De acordo com o comunicado da Visa, os primeiros participantes são Banco do Brasil, Bradesco, Dock, Santander e XP. O programa foca nos emissores e testa pagamentos de agentes em ambientes controlados de produção, com lojistas selecionados. Assim, os emissores se preparam para o agentic commerce no Brasil antes da escala.

O que a Mastercard já fez na América Latina?

Em março de 2026, a Mastercard anunciou transações reais com agentes na América Latina e no Caribe, com emissores como Itaú e Santander. Contudo, o comunicado da Mastercard fala em ambiente controlado e não separa os países. Anteriormente, em dezembro de 2025, a empresa tinha citado Getnet e MagaluPay entre os primeiros parceiros do Agent Pay na região. Ainda assim, com os testes da Visa, o agentic commerce no Brasil segue na fase de piloto.

Como o agente escolhe a loja e o produto?

Pelo que consegue ler e comparar. Em geral, o agente cruza dados de produto, preço, estoque, avaliações e políticas, vindos da loja e de terceiros. No ChatGPT, segundo a OpenAI, a ordem entre lojas do mesmo item considera disponibilidade, preço, qualidade e se a loja é a fabricante ou a vendedora principal.

O feed ajuda, mas não é obrigatório. A OpenAI diz que a loja dispensa o feed se o ChatGPT já lê o site, mas o feed dá mais controle. No Google, por sua vez, a base é o Shopping Graph, alimentado por feeds do Merchant Center e por dados da web, como a marcação estruturada das páginas.

O agente também precisa conseguir entrar no site. Conforme a OpenAI, alguns sites restringem agentes automatizados, e então a tarefa pode parar no meio. Já o navegador na nuvem do ChatGPT assina as requisições com Web Bot Auth, e o site pode confirmar a origem.

Antes da compra, porém, vem a recomendação. O agente monta a lista curta com o que lê e cita na web. Por isso, a marca que a IA não menciona tende a ficar fora da comparação.

Os próximos guias detalham cada caminho. O primeiro mostra que fontes a pesquisa aprofundada do ChatGPT e do Gemini lê. Em seguida, outro guia mostra como o agente do ChatGPT pesquisa e compara lojas. Por fim, o guia de navegadores com IA explica o que Comet e Gemini no Chrome mudam para o site.

O que a loja precisa preparar para o agentic commerce?

Quatro frentes: catálogo legível por máquina, políticas claras, checkout pronto para credenciais de agentes e acesso liberado aos robôs certos. Afinal, na pesquisa da PYMNTS Intelligence com a Visa, 74% de 501 lojistas brasileiros esperam que agentes gerem ao menos 5% das vendas digitais em dois anos. Só 15%, porém, têm dados de produto legíveis por agentes.

Ou seja, o agentic commerce no Brasil tem expectativa alta e preparo baixo. A pesquisa ouviu os lojistas em março de 2026. A Visa é empresa de pagamentos e, portanto, tem interesse no tema.

Catálogo, dados estruturados e políticas

  1. Feed completo. No formato da OpenAI, nove campos são obrigatórios: ID, título, descrição, URL, marca, vendedor, imagem, disponibilidade e preço. O formato padrão, no entanto, mira os EUA.
  2. Dados estruturados de produto. Segundo o Google, marcação nas páginas e feed do Merchant Center, juntos, ampliam a qualificação dos produtos. Por isso, use os mesmos valores no feed, na marcação e na página de produto.
  3. Políticas em texto e no feed. Troca, devolução, prazo de entrega e cancelamento precisam estar claros, para que o agente consiga comparar. Na mesma pesquisa, 1.046 compradores em loja física usaram ajuda digital. Desses, 28% deixariam um agente fazer pedidos sozinho se a loja aceitasse cancelar em 24 horas. Já com devolução grátis e garantida, seriam 23%.

Checkout, pagamento e acesso dos agentes

  1. Pagamento. Pergunte à processadora e ao adquirente quando eles aceitam tokens de agentes, como os da Visa e da Mastercard, e quais protocolos suportam.
  2. Plataforma. Na Shopify, confira o canal de agentes no painel. Em outras plataformas, acompanhe o suporte ao UCP e ao Agentic Commerce Protocol.
  3. Robôs. Libere o OAI-SearchBot e o Googlebot no robots.txt para IA. Afinal, segundo a OpenAI, sem o OAI-SearchBot o site some das respostas com busca do ChatGPT.
  4. Firewall e CDN. Não barre agentes legítimos por engano. Veja como evitar o bloqueio de robôs de IA pela Cloudflare.

Por fim, o que muda no SEO quando quem visita o site é um agente está no guia de SEO para agentes de IA.

Perguntas frequentes

A loja paga taxa para vender por agentes de IA no ChatGPT?

Não, segundo a OpenAI. A página da OpenAI para lojistas diz que não há taxa sobre compras que começam no ChatGPT. A loja segue pagando as taxas normais de pagamento, lembra a Shopify. Além disso, o comprador conclui a compra no site ou no app da loja. Por enquanto, porém, a OpenAI diz que as compras no ChatGPT estão no ar nos EUA.

Preciso de feed de produtos se o ChatGPT já lê o site da loja?

Não é obrigatório. Segundo a OpenAI, a loja não precisa de feed quando o ChatGPT já rastreia o site. Mesmo assim, o feed dá mais controle sobre como os produtos aparecem. O envio de feed à OpenAI, no entanto, está aberto só a parceiros aprovados, por inscrição.

Uma loja na Shopify já participa do comércio agêntico?

Em parte. As vitrines agênticas da Shopify ficam ativas por padrão para lojas elegíveis e levam o catálogo a ChatGPT, Gemini, Copilot e Meta. No ChatGPT, porém, a loja precisa vender para clientes nos EUA. Já o checkout direto no Modo IA e no Gemini exige loja sediada nos EUA.

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Fontes principais

  • Especificação do ACP, padrão aberto da OpenAI e da Stripe para o comércio com agentes (2026).
  • OpenAI, descoberta de produtos no ChatGPT para lojistas (2026).
  • Google, anúncio do Universal Commerce Protocol na NRF (2026).
  • Google Cloud, anúncio do Agent Payments Protocol (2025).
  • Visa, expansão do programa Agentic Ready (2026).
  • Visa Brasil, lançamento do Agentic Ready no Brasil (2026).
  • Mastercard, transações com agentes na América Latina e no Caribe (2026).
  • PYMNTS Intelligence, Global Digital Shopping Index: Brazil Playbook, com a Visa Acceptance Solutions (2026).

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